Mercado

Angosat-1, uma expectativa arriscada

24/11/2017 - 16:29, featured, Opinião

O anúncio da data provável do lançamento do primeiro satélite de Angola, para Dezembro próximo, despertou alguma atenção, esta semana. Se tudo correr como previsto, Angola entra na era espacial.

Por Aylton Melo

O Angosat-1 será lançado a partir do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, e, quando estiver em pleno funcionamento – o que deve acontecer três meses depois de ser colocado em órbita terrestre –, espera-se que tenha um enorme impacto nas telecomunicações do País, alargando a cobertura de rede à totalidade do território nacional e beneficiará as empresas, quer nacionais quer estrangeiras, por causa das comunicações integradas que oferece. Se tudo correr como previsto, o lançamento poderá ser bem-sucedido e haverá uma melhora significativa das telecomunicações, durante 18 anos. Nesta altura terá valido a pena o investimento de 320 milhões USD.

O sector bancário será um dos beneficiários dos serviços do Angosat-1, minimizando os custos das telecomunicações, ferramenta indispensável para a banca. Além disso, o satélite angolano promete facilitar as empresas do sector, principalmente porque os pagamentos serão feitos na moeda nacional, dispensando assim as habituais divisas. Durante o workshop sobre “Impacto socioeconómico do Angosat-1”, foi confirmado que, actualmente, resta apenas 35% para ser vendido, estando 65% da banda KU completamente reservados. Quanto ao mercado nacional, já foram vendidos 87% da banda C, e os 13% foram para o mercado internacional, para a banda KU 53%, que foi alocada ao mercado internacional, e 47% ao mercado nacional.

A banda KU tem mais procura no mercado africano, enquanto a banda C, com mais demanda no europeu, tem 82% disponível, estando os seus 18% já vendidos. Cinco sectores confirmaram a venda de banda, nomeadamente as telecomunicações, media, defesa e segurança, petróleo e serviços.

Não ficamos a saber, caso tudo corra como esperado, em quanto tempo o Estado angolano vai rentabilizar e recuperar este investimento. Se tudo não correr de feição, que contingências é que estarão a ser consideradas?

Até que ponto será que o foguetão Zenit 3SLB é confiável? Se por um lado há garantias de que teremos comunicações mais rápidas e acessíveis. Não há certezas sobre os custos para os clientes corporateou residenciais, no que a Internet diz respeito. Os níveis de inflação e a desvalorização da moeda podem augurar um custo de Internet via satélite mais caro do que as conexões terrestres. Se alguma coisa falhar, será que o Estado se lembrou de fazer um seguro para tamanha expectativa?

Saiba mais, da edição 131, desta semana já nas bancas!

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