Mercado

Crises económicas e financeiras: compreensão e equacionamento

22/08/2017 - 11:20, Opinião

Quando as contas dos países da UE estão equilibradas, o BCE brinda-os com encómios; quando não são, sobrevêm austeridades e mais austeridades.

Por Kutala Mu N’Gongo

Economista

Ao longo dos artigos anteriores, fomos dando algumas achegas opinativas sobre indicadores (défice, taxa de inflação e dívida pública) e explicando as razões e os principais argumentos de medidas tomadas pela União Europeia (UE) e pelos Estados Unidos da América (EUA).

Também sublinhámos os motivos que levaram a UE a estabelecer ‘balizas’ de variação dos indicadores económico-financeiros dos países-membros, como forma de defender o equilíbrio e a estabilidade da moeda única, o euro.

Foi em nome deste equilíbrio e da estabilidade do euro que os membros da União abriram mão da soberania das suas moedas nacionais e concordaram respeitar os parâmetros de variação financeiros e económicos.

Quando as suas contas públicas estão equilibradas, isto é, os gastos públicos são menores ou, pelo menos, iguais às despesas, o Banco Central Europeu (BCE) ‘brinda-os’ com sorridentes encómios.

Quando ocorre o contrário, os países são penalizados quer pelo BCE, quer pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), quer pelos mercados financeiros.
Aí, sobrevêm austeridades e mais austeridades, em busca de garantias para o reembolso dos empréstimos de que os países em crise tanto necessitam, e não são respeitados nem o crescimento económico, nem o desafogo das empresas, nem, em última instância, o emprego dos cidadãos.

Esta é a face visível e real das medidas dos manuais sombrios do BCE, FMI e mercados financeiros a que nós fomos dizendo que não, menosprezando a observância dos indicadores financeiros e económicos, que devem estar sempre ao serviço do emprego real e do crescimento económico, através do investimento público, com a colocação de liquidez na economia.

Do outro lado do Atlântico, os EUA – a maior economia capitalista do mundo – enveredam, como já dissemos, pelos caminhos da defesa da estabilidade, do crescimento da economia e do emprego como objectivos mores.

Para alcançar este desiderato – pelo menos é o que se constata, analisando as medidas adoptadas para o
combate às crises –, o investimento público é incentivado e a Reserva Federal (Fed) abre a ‘bolsa’, injectando liquidez na economia e tornando mais fácil e atractivo o acesso ao credito, v.g., baixando as taxas de juro.

A opção é, claramente, pela expansão monetária. Resumindo, em jeito de de conclusão: a taxa de inflação, o défice e o volume de dívida pública devem ser funções do crescimento económico, estabilidade e emprego.

A grandeza da dívida nunca é assustadora quando a razão da sua contratação está ligada a projectos rentáveis e com resultados que venham a garantir o reembolso dos empréstimos na data dos respectivos vencimentos.

Esta é, sobremaneira, a garantia dos investidores de que o país tomador do crédito está a colocar o dinheiro em investimentos propiciadores de retorno dos recursos aplicados.

P. S. – Na próxima edição, iremos abordar a Grande Depressão da economia norte-americana.

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