Mercado

Da palavra à prática, cinco anos de distância

29/09/2017 - 09:38, Opinião

Ao contrário do antecessor, que tinha lançado metas sob uma realidade macroeconómica motivadora, começa um novo ciclo político em condições adversas.

Por Aylton Melo 

aylton.melo@mediarumo.co.ao 

No acto de investidura de 2012, o então PR, José Eduardo dos Santos, tinha razões para crer que “as ambições e objectivos do Programa de Governação”, baseados numa estratégia de parcerias em que o investimento público e o privado em projectos estruturantes do sector público, constituiriam a plataforma para o desenvolvimento da economia nacional.

Tais objectivos foram gravemente comprometidos pela queda abrupta do preço do petróleo: o seu sucesso estava atrelado a forte dependência da economia a esta commodity.

Agora, no mesmo local, cinco anos depois, João Lourenço é investido como PR. Ao contrário do antecessor, que tinha lançado metas sob uma realidade macroeconómica motivadora, começa um novo ciclo político em condições adversas.

Nestes cinco anos, a economia tombou de uma taxa média de crescimento de 9,2% para 1,3%. Lourenço traz as mesmas promessas de justiça social, bem estar do povo, apoio às empresas e aos jovens. É um plano de continuidade das promessas pouco ou nada concretizadas pelo Governo anterior. Mas o novo PR trouxe um elemento fundamental para o sucesso do mandato: “Prestar atenção à reforma do Estado, de modo a permitir o desenvolvimento harmonioso e sustentável do território e das comunidades, com a descentralização de poderes”. Mostrou também saber que “nenhuma governação será bem-sucedida sem o diálogo aberto com as diferentes forças sociais”. Assim, promete apostar numa maior aproximação aos sindicatos e às ordens profissionais, ONG’s e alguns grupos de pressão. Tal implica, no plano económico, que o Estado passe a ser cada vez menos interventivo e impulsione a iniciativa privada.

Outra promessa de continuidade é a atenção que será dada ao crédito à economia, que deve estar de acordo com “as necessidades dos agentes económicos e a obrigatoriedade de diversificação económica”, e a intenção de reduzir drasticamente as importações e apostar nas exportações. E há ainda a aposta na criação de pólos industriais.

Outro objectivo transferido é a intervenção do mercado de capitais como instrumento para promover o sector empresarial, devendo constituir-se como fonte adicional de financiamento à economia e alternativa ao crédito bancário.

Faz recordar as promessas de 2012, que se resumem em boas políticas de emprego, combate à pobreza, fomento e incentivo às oportunidades e realização de negócios de crédito à indústria e no investimento estrangeiro para os sectores da agro-pecuária, indústrias, pescas, turismo, transporte, imobiliário e outros relevantes. Por mais promessas que se façam ninguém acredita numa economia que não dá resultados em pouco tempo. E a juventude começará, então, a acreditar que pode ser feliz em Angola.

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