Mercado

Economia do conhecimento

12/10/2017 - 12:18, Opinião

No longo prazo, a importação de mão-de-obra custará mais do que investir em formação.

Por Samuel Chilua 

Economista 

Segundo Peter Drucker, o que caracteriza a nossa sociedade ‘pós-capitalista’ é o facto de o conhecimento se ter tornado ‘o’ recurso, em lugar de ‘um’ recurso de desenvolvimento.

Este facto altera a estrutura da sociedade, crias novas políticas e novas dinâmicas sociais e económicas. Precisamos de compreender que formar – mas formar bem o homem – é sinónimo de desenvolvimento presente e futuro de um Estado, e este comprometimento e desejo nobre são gerados no coração de um homem que ama a sua pátria e quer vê-la mudada. Sejam bem-vindas, Sras. ministras da Educação e do Ensino Superior e Tecnologia: grande é o vosso desafio,pois não devem esquecer-se de que o progresso de Angola passa pela vossas mãos.

Não basta criar infra-estruturas de ensino (escolas, colégios, universidades, institutos superiores, etc.); o Estado deve proporcionar incentivos aos cidadãos para se servirem delas.

Gregory Mankiw explica que o capital humano é a chave mais importante para o crescimento económico.

Assim, uma maneira pela qual a política governamental pode elevar o padrão de vida dos cidadãos é oferecer boas escolas e incentivar a população a utilizá-las.

A boa formação oferecida propaga externalidades positivas (efeito da acção de uma pessoa sobre o bem–estar de quem esteja próximo). Se não reformularmos os nossos objectivos com a formação da geração presente e futura, vamos viver, eternamente, o dilema da importação da mão-de-obra qualificada para sustentar o nosso País com os seus feitos. Diz um ex-reitor da Harvard University: “Se achas que o conhecimento custa caro demais, então experimenta a ignorância.”

Não há dúvida de que, no longo prazo, a importação de mão-de-obra, até para fazer um simples pedaço de estrada, custará mais cara ao Estado do que o investimento que pode fazer hoje através da concessão de bolsas de estudo, do aumento do número de universidades públicas ou de laboratórios devidamente equipados, e da criação de incentivos para a maximização do interesse dos utentes destas instituições.

A mudança que se requer no País é um processo que alberga todos nós. Se um sinónimo de aproveitar a juventude é usufruir de todo o tipo de entretimento (festas, passeios, viagens, horas e horas nas redes sociais, convívios com os amigos, etc.), então, não nos assustemos nem reclamemos quando os nossos lugares forem ocupados por estrangeiros mais capacitados.

Perguntemos a nós mesmos: Quantos livros lemos por ano? Qual é nosso interesse na investigação científica? O que fazemos com as redes sociais? Obviamente, as respostas a estas questões serão dadas de forma muito tímida pela juventude angolana (lamentavelmente).
Almejamos tanta coisa, gostaríamos de atingir certos lugares, mas a nossa prática e o nosso dia-a-dia contrastam com aquilo que queremos. Admiramos o tamanho sucesso que alguns homens conseguiram obter num mundo onde o conhecimento se tornou uma ‘chave’ fundamental para romper barreiras. Todavia, era preciso sabermos o que estes homens têm em comum atrás do palco.

Foi publicado em Agosto de 2016 na Revista Global de Ética & Negócios, aquilo que está por detrás de algumas figuras emblemáticas do sucesso empresarial e financeiro do mundo actual. Warren Buffett gasta cerca de seis horas por dia lendo cinco jornais e 500 páginas de balanços de empresas; Bill Gates lê 50 livros por ano. Mark Zuckerberg lê, pelo menos, um livro a cada duas semanas. Dan Gilbert, bilionário e dono do Cleveland Cavaliers, lê uma a duas horas por dia. Oprah Winfrey credita boa parte de seu sucesso a livros que leu e já disse: “Os livros são o meu passe para minha liberdade pessoal.”

A única vantagem que os países podem esperar vir a ter é no fornecimento de pessoas preparadas, formadas e treinadas para o trabalho, diz Peter Drucker.
As grandes potências económicas pós-Segunda Guerra Mundial, nomeadamente, o Japão, a Coreia do Sul, Taiwan, Hong Kong e Singapura, tiveram a sua ascensão graças a programas de formação rigorosos e adoptados para aumentar a produtividade, transformando os seus cidadãos numa força de trabalho com capacidade de nível internacional.

O governo é o maior gerador de despesa. As empresas são as principais fontes geradoras de riqueza no País. São elas que produzem e são as maiores responsáveis pela arrecadação de receitas pelos cofres públicos. Quando a política não promove a expansão do conhecimento para todos,automaticamente, está a promover a concentração de riqueza nas mãos dos que têm o privilégio de ter acesso ao conhecimento (Blog Geração de Valor).
Contudo, o conhecimento é, sem dúvida, um verdadeiro gerador de emprego e riqueza.

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