Mercado

Impulso às soft commodities

13/10/2017 - 09:03, Opinião

FAO recomenda aumento dos níveis de produção agrícola para acelerar diversificação da economia

Por Ayton Melo

A abertura da campanha agrícola pelo Presidente da República, João Lourenço, no município do Cachiungo, Huambo, pode ser um sinal de que o Governo dará uma atenção especial à agricultura, tal como prometeu durante a campanha eleitoral. O que, em teoria, pode deixar antever um aumento da ‘fatia’ do Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2018 ( já em preparação) para este sector, face ao OGE 2017.

O acto presidencial, entretanto, ocorre cinco dias antes do Dia Mundial da Alimentação e no ano em que a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) exorta os governos a investirem mais em segurança alimentar e desenvolvimento rural. Um relatório recente da FAO sobre o estado mundial da agricultura e da alimentação recomendava que se fizessem investimentos, sobretudo, em inovação na agricultura familiar, que é de longe a forma dominante de agricultura no mundo.
Estima-se que a agricultura familiar ocupe cerca de 80% das terras agrícolas e produza entre 70% e 80% dos alimentos no mundo, em termos de valor. Estes dados são de certa forma similares à realidade angolana.

Mas o Estado tem, até aqui, feito muito pouco para garantir a segurança alimentar das famílias e o desenvolvimento rural sustentável. Dados da campanha agrícola 2015/2016 dão conta de que o País tem 35 milhões de hectares de terras aráveis para a prática da agricultura, dos quais estão cultivados apenas 5 milhões de hectares (14%). Então, há aqui muito trabalho pela frente, que implica investimentos de vulto na produção agrícola para se replicar e maximizar os projectos já existentes e investir em toda a cadeia de valor. Isto vai incluir duas ferramentas incontornáveis para a segurança e o crescimento sustentável dos referidos investimentos: o seguro e a bolsa de soft commodities.
Por um lado, a seguradora ENSA estará a preparar-se para tomar as rédeas, assumindo sozinha os riscos inerentes, com a criação do seguro agrícola, enquanto a proposta da ARSEG aguarda a aprovação do Governo, que tem de subvencionar os agricultores.

Por outro, a criação de uma bolsa agrícola, onde se negociarão títulos representativos de operações relacionadas com essas mercadorias, exigiria uma produção em escala, não só para o consumo interno, como também para os mercados internacionais. Naturalmente, o tema da criação desta bolsa não é novo no País. A CMC terá inclusive em carteira o dossier sobre a criação da entidade para o efeito, a aguardar para melhores dias ou decisão política.

O certo é que uma bolsa desta natureza impulsionará o agronegócio, a agro-indústria de fertilizantes e concentrados, por exemplo. Seria uma oportunidade para a criação de novos negócios e emprego. E significaria também um impulso importante às receitas do Estado e a entrada efectiva numa economia de mercado dinâmica.
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) recomendou nesta quarta-feira no município do Cachiungo, na província do Huambo, um maior acompanhamento do sector agrícola, visando o aumento dos níveis de produção, para acelerar o processo de diversificação da economia nacional.

Segundo o representante da FAO em Angola, Mamoudou Diallo, à margem do acto de abertura da campanha agrícola 2017/2018, presidida pelo Presidente da República, João Lourenço, a actividade agrícola no País deve ser bem fiscalizada, para que através dela se gira melhor a renda da comunidade.

Mamoudou Diallo prometeu o apoio da FAO ao Governo angolano, quer no acompanhamento da actividade agrícola quer em outras acções relacionadas com a capacitação dos quadros e no reforço das tecnologias. Mostrou-se ainda optimista quanto ao aumento dos níveis de produção agrícola no País, ressaltando o discurso do Presidente da República, na abertura da campanha agrícola, ao afirmar que o mesmo contém linhas orientadoras e estratégicas para catapultar o País na rota do desenvolvimento económico-social.

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