Mercado

Mais desvalorização

12/01/2018 - 15:17, Opinião

O Banco Nacional de Angola (BNA) tornou oficial a desvalorização do kwanza por via do novo regime cambial, terça-feira, quando vendeu 83,6 milhões EUR, dando início ao processo de formação da taxa de câmbio flutuante, com a participação dos bancos comerciais.

Por Aylton Melo

O Banco Nacional de Angola (BNA) tornou oficial a desvalorização do kwanza por via do novo regime cambial, terça-feira, quando vendeu 83,6 milhões EUR, dando início ao processo de formação da taxa de câmbio flutuante, com a participação dos bancos comerciais. Cada dólar custa quase 9,5% mais (185,5 Kz), enquanto o euro aumentou cerca de 9,2% (221,2 Kz). A verdade é o kwanza tem vindo a perder o seu valor enquanto meio de troca ao nível doméstico, desde finais de 2014. A curto prazo, haverá um aumento da inflação, é inevitável.

Mas há também aqui algumas oportunidades que, bem aproveitadas, podem evitar que isto aconteça em alguns bens. Na medida em que grande parte dos bens que compõem a cesta básica acabam por ser importados com recurso a moeda estrangeira ao câmbio do mercado paralelo.

Mas, naqueles importadores que sempre beneficiaram das taxas de câmbio do banco central, como as grandes superfícies comerciais, veremos um aumento substancial dos preços. Por outro lado, vai reduzir a margem que existe entre o formal e o paralelo. Isto vai desincentivar o recurso ao mercado paralelo e, por outro lado, a procura por moeda estrangeira vai reduzir substancialmente. Ou seja, o poder de compra de divisas vai reduzir consideravelmente. Agora, quer os que recorriam ao oficial quer os do paralelo, todos poderão estar mais ou menos dentro da mesma banda.

Mas há ainda o risco de o mercado paralelo também corrigir a margem à medida em que a autoridade monetária tentar ajustar as duas, pois o mercado paralelo sobrevive muito devido a especulação. Num cenário em que os detentores ‘ilegais’ de divisas decidam ‘congelar’ a sua circulação, facilmente o preço na rua vai ‘disparar’. Fazendo com que o ciclo de fugas do mercado formal para o informal continue a existir, uma vez que as taxas remuneradoras deste voltariam a estar acima das taxas oficiais. A médio e longo prazo, estas medidas, se acompanhadas por outras que visam estimular a produção nacional, tais como a diminuição das taxas de juros de referência do BNA, vão permitir que a banca nacional volte a financiar as empresas para que possam produzir mais bens e serviços cá em Angola, as famílias possam aumentar o consumo interno e consequentemente a diversificação da economia. Mas, para isso, é necessário que as outras medidas contempladas no Programa de Estabilização Macroeconómica e no OGE 2018 sejam executadas como deve ser, tais como a reforma célere da justiça, o combate à corrupção e a reabilitação de infra-estruturas de telecomunicações e transporte. Por agora, o Estado deve criar mecanismos de defesa das populações mais desfavorecidas.

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