Mercado

Mercados futuros e o Brent

10/11/2017 - 13:49, Opinião

Os mercados futuros, onde se compram e vendem activos por um preço fixo e entregas a prazo, continuam a comandar o preço do barril de petróleo, além do que se podia esperar.

Por Aylton Melo 

aylton.melo@mediarumo.co.ao 

Os mercados futuros, onde se compram e vendem activos por um preço fixo e entregas a prazo, continuam a comandar o preço do barril de petróleo, além do que se podia esperar.

Se o valor do barril fosse ditado apenas pelo jogo dicotómico “oferta versus procura”, as regras do jogo talvez fossem outras. O facto é que o preço do Brent recuperou em cerca de 15%, nos últimos três meses, mantendo-se oscilante, acima dos 60 USD, sendo o mais alto desde Julho de 2015. Apesar de o mercado petrolífero mundial manter-se com excesso de oferta em relação ao consumo, continua a ser suportado pelos mercados futuros, onde actuam todo o tipo de especuladores financeiros. Aliás, alguns especialistas defendem que esses especuladores não deixaram o preço do Brent vir mais abaixo. Felizmente para os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), Rússia e outros produtores, que podem também atribuir o feito dos últimos três meses à decisão de manterem a produção em cerca de 1,8 milhões de barris por dia (b/d).

No conjunto de causas, equacionam-se também o aumento da procura global, especialmente da China, as preocupações geopolíticas e as refinarias dos EUA, que assumem agora menos disponibilidade de petróleo por causa do recente blitzde furacões. A OPEP vai fazer a sua reunião periódica no próximo dia 30 de Novembro, em que vai discutir as próximas etapas. A grande questão é se os parceiros manterão ou ampliarão os cortes com acordos similares com outros produtores-chave.

Há quem defenda que esta recente subida seja provisória, porque os EUA, que se tornaram nos últimos dois anos no maior produtor mundial de petróleo, negociam o preço do West Texas Intermediate (WTI), abaixo do preço do Brent, nos mercados futuros. É que nos mercados petrolíferos mundiais são negociados mais de 160 tipos de petróleo bruto, mas apenas os contractos de petróleo WTI e o Brent são negociados no mercado de futuros. É interessante acompanhar o spreadde preços entre ambos, porque nos dá indicadores da hegemonia dos EUA, no contexto das nações.

O spreadentre os dois tem-se aproximado nos últimos três meses, de acordo com a agência de notícias Reuters. O WTI, negociado em Nova Iorque, subiu 0,74%, para 56,05 USD, enquanto o do Brent, com sede em Londres, valorizou-se para 62,39 USD. O aumento do spread entre ambos ajudou a aumentar as exportações de petróleo dos EUA até um recorde de cerca de 2 milhões b/d até ao início de Outubro último, o que se traduziu em mais de 2,5 mil milhões USD de incomes mensais. O estreitar do spread entre o WTI e o Brent torna o petróleo bruto americano menos atraente para os compradores. Contudo, vamos continuar a fazer figas para que o preço do Brent continue a subir para aliviar o sufoco em que se encontra a economia angolana, devido aos longos anos de petro dependência, e que consiga fazer as reformas necessárias para diversificar eficaz e eficientemente a economia.
As cimenteiras China International Fund (CIF) e a Fábrica de Cimento do Kwanza Sul (FCKS), ambas paralisadas por falta de combustível Heavy Fuel Oil (HFO), poderão adquirir o produto directamente da Refinaria de Luanda, a partir de hoje. Quem garante é o ministro da Construção e Obras Públicas, Manuel Tavares de Almeida, no final de uma jornada de campo da Comissão Multissectorial para o Cimento à Nova Cimangola e à Refinaria de Luanda, tendo considerado como sendo uma boa nova para as cimenteiras.

Este facto poderá reflectir-se no preço, que até à data se mantém em 2500 Kz nos mercados informais em Luanda, ao passo que o preço tem sido agravado nas outras províncias. E, deste modo, o preço poderá ser corrigido em baixa em benefício do comprador final. “A linha que fornecia o combustível HFO à Cimangola actualmente foi bifurcada em dois pontos, um dos quais servirá para abastecer a fábrica de cimento da CIF, em Luanda, e a Fábrica FCKS”, disse Manuel Tavares de Almeida.
Desta forma, segundo o ministro, começa um novo processo, que coloca as fábricas em condições para serem abastecidas, e espera-se que retomem a produção brevemente. Com isto dá-se por improcedentes, de acordo com o ministro da Construção, as tentativas de negociação entre a Cimangola e as suas concorrentes, cuja intenção condicionava estas num possível fornecimento do combustível pela concorrente.

A FCKS já anunciou, entretanto, que prevê a retoma da laboração até Dezembro, após intervenção do Governo. “Actualmente, a FCKS está em negociações construtivas como Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos e o Ministério da Construção, com vista à retoma do abastecimento do combustível HFO [Heavy Fuel Oil]. Esses encontros têm sido de tal modo frutíferos, que perspectivamos o rearranque das operações num prazo de 50 dias, necessário para a remobilização do pessoal expatriado”, refere o comunicado da cimenteira. “A FCKS diz em comunicado que o facto de a Sonangol ter elevado os preços de HFO de 25 Kz para 50 Kz/kg, após seis meses do início das operações da fábrica, e num espaço de quatro meses ter aumentado para 91 Kz/kg”, esteve na origem da “degeneração da condição financeira” e “na subsequente suspensão do abastecimento do combustível”, que se arrasta desde 2016.

Os revendedores de cimento no Cuanza Sul louvaram, entretanto, a iniciativa do Governo para resolver o impasse que havia entre as fábricas de cimento e a Sonangol. “Não seria possível uma fábrica que foi financiada com dinheiro do Estado paralisar por falta de combustível, uma vez que Angola é um país produtor de petróleo”, disse Pedro Benjamim, revendedor, em declarações à Angop.

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