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Isabel dos Santos: “Vamos produzir o barril de petróleo a 40-50 USD”

11/10/2017 - 09:15, Commodities, featured, Markets, Uncategorized

À margem do FT Africa Summit, Isabel dos Santos, PCA da Sonangol sublinhou que as mudanças que estão a ser implementadas na empresa vão ajudar a estabelecer novos acordos de exploração e produção e reduzir custos significativamente.

A 9 de Outubro, Isabel dos Santos disse que a Sonangol quer reduzir o breakeven nos custos de produção de petróleo na ordem dos 20 a 30 USD por barril, com o objectivo de produzir barris a 40-50 USD.

À margem do FT Africa Summit, uma conferência organizada pelo Financial Times que decorre hoje em Londres, e na qual Isabel dos Santos participa como oradora, a Presidente do Conselho de Administração da Sonangol sublinhou que as mudanças que estão a ser implementadas na empresa vão ajudar a estabelecer novos acordos de exploração e produção e reduzir custos significativamente. “Estamos a restruturar os nossos termos e condições para os tornar mais atrativos”, referiu a PCA, explicando que em contratos anteriores, “o nível de compromisso [para as empresas] não era atrativo”. Isabel dos Santos referiu que foi feito um diagnóstico exaustivo na Sonangol, o qual incluiu uma avaliação de competências e de procedimentos. Os resultados desse diagnóstico, a par de um contexto económico difícil, levaram a administração a priorizar a Transformação Operacional em detrimento da Reorganização Corporativa.

O programa de transformação já resultou num EBITDA positivo de 3,2 mil milhões de dólares, o que significa um aumento de 13 por cento relativamente a 2015. Desde que a nova administração iniciou funções, a dívida também diminuiu de >13 mil milhões de dólares para ~10 mil milhões de dólares no fecho de 2016. Nos primeiros meses de 2017, a Sonangol já tinha conseguido reduzir a dívida para ~7 mil milhões de dólares (dados de junho de 2017).

Produção de gás aumenta mais de 200%

A produção total de gás da Sonangol em 2016 foi de 1,7 MMbopd, o que significa um aumento de 236% em relação a 2015, e em 2017 deverá chegar aos 5,3 MMbopd, concretizando um aumento de 209% face a 2016. Isabel dos Santos apontou o gás como parte central da estratégia da Sonangol para diversificar e sublinhou que o crescimento do consumo de gás será mais rápido do que o de petróleo. “Temos de ser uma empresa mais ágil, mais competitiva, mais lucrativa e com uma gestão mais parecida com a que vemos no setor privado”, sublinhou.

A Sonangol mantém o objetivo de construir uma nova refinaria de petróleo, apesar do cancelamento dos trabalhos para uma refinaria planeada no Lobito no ano passado, estando neste momento à procura de um parceiro para o projeto. “Vejo que existe um grande nível de interesse, operadores, investidores, financeiros; África será um daqueles continentes com o consumo em ascensão.”

Isabel dos Santos acrescentou que a administração tem-se focado intensamente na otimização da eficácia e dos seus procedimentos, considerando melhores práticas internacionais mas também assegurando um nível adequado de controlo sem super-burocratizar operações.

Sob o tema “What makes Africa work?”, a edição de 2017 do FT Africa Summit pretendeu reflectir sobre os pontos fortes, potencialidades e boas práticas do continente africano nos diversos sectores. O evento reúne anualmente chefes de Estado, políticos, empresários, investigadores e profissionais de várias áreas para uma reflexão acerca do presente e futuro do continente africano. Nesta edição participaram também Simon Wandke, Vice-Presidente e CEO do sector de minas da ArcelorMittal, Yemi Osinbajo, vice-presidente da Nigéria, e Pravin Gordhan, anterior Ministro das Finanças e atual membro do Parlamento da África do Sul.

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